sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Epicentro

Ele era feliz.

Apertos de mão, sorrisos, beijos e palavras agradáveis; tudo se resumia por si só, numa intransponível superfície por onde sua felicidade caminhava serena, a passos leves. Tão leves, tomando cuidado com cada um deles, pois não queria mover um grão sequer daquela superfície.

..sua felicidade tinha pés e passos minuciosos. Sabia que, ao se tentar mover um único grão, vem junto a ele um outro grão.. e outro.. e mais outro. Sabia disso. Sabia também que estava muito bem ali, atrelado à superfície. Temia escavar mais a fundo aquela sua terra """firme""".

Afinal, o que ele encontraria ali no fundo? Havia enterrado suas inseguranças e angústias como se fossem verdadeiros tesouros. Estavam todos ali enterrados, porém ainda a menos de sete palmos abaixo da passarela por onde seu verdadeiro tesouro cumpria seus passos minuciosos, sempre exposto ao imprevisto de um abalo sísmico, enquanto ele apertava mãos, sorria, beijava e dizia o previsível.

Ele era feliz?

Um comentário:

qdedo disse...

apertos de mao, sorrisos, bjos... é, definitivamente, o problema é falta de sexo!