terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Céu de abóbora

Será que aquele vestido lhe servia? Ora, claro que sim. Se toda a felicidade do mundo cabia naquele vestido de noiva, por quê ela não caberia? Parada na calçada, sentia-se mera poeira cósmica debaixo daquele céu vestido de estrelas tão brilhantes quanto as esmeraldas que decoravam seu sonho de consumo conjugal. Ou seriam diamantes? Pérolas, talvez.. não lhe importava. Apenas queria. E ali permanecia imóvel, querendo, enquanto seus desejos quebravam o vidro da vitrine e despiam o manequim.

Mas como fazer para despir o céu que tanto invejava? Ali estava ele, imponente, ostentando constelações, enquanto ela cobiçava com todas as suas forças um vestido ornamentado por pedrinhas brilhantes das quais sequer sabia o nome. Mas não era bem o vestido que tanto queria, e sim um pretexto para usá-lo, pretexto que não encontrava.

Invejava o céu; e como invejava.. queria também ter sua própria lua, uma lua-de-mel, quem sabe. E seus desejos viraram foguetes: grandes, perigosos, no mundo da lua. Porém, voltaram à Terra quando lembraram que o céu iria despir-se por si só e dentro de algumas horas não mais teria estrelas ou lua-de-mel, mas apenas aquele laranja do crepúsculo, que até ele viraria uma abóbora no fim da noite.

Despiu o céu, sorriu e continuou andando, com seu sapatinho de cristal, à procura do pretexto encantado.


2 comentários:

quel_maia disse...

ré!

raquelholanda disse...

Caio, muito lindo esse texto!
Genial essa variação da historinha de Cinderela. Adorei!
Eu quero um céu de abóbora, “um vestido ornamentado por pedrinhas brilhantes”, uma lua-de-mel, um pretexto, e que esse príncip... opa... pretexto encantado calce o meu sapatinho de cristal. abç.